Sobre o sentido do voto (ou mesmo, da vida).
Escrevemos estas linhas com premente preocupação.
O universo político dos eleitores portugueses parece - uma vez mais - manietado por confusão lamentável, sem dúvida irresponsavelmente propagada pelo candidato Cavaco Silva e acérrimos apoiantes.
O equívoco é o seguinte:
A crença de que é ao Presidente da República Portuguesa que cabe dinamizar a economia como forma de equilibrar as finanças públicas e ultrapassar a crise financeira do país.
Poderá tal figura manter esse ensejo, tal como ao leiteiro, ao pedreiro ou ao académico, não repugna a ideia de uma sociedade mais dinâmica e empreendedora.
Mas as condições para que tal empresa se inicie, urgente e localizada no tempo mais imediato, não são do teor da acção presidencial, mas sim daquela que é própria do Governo, do seu Primeiro Ministro e, especificamente, dos Ministros da Economia e das Finanças.
Ao Presidente não pode corresponder semelhante propósito.
A natureza das suas funções não lhe permite criar ou sugerir sinergias na actividade económica, sem que por um lado se verifique um abuso dos poderes presidenciais, mesmo que o faça por influência indirecta (o que seria ainda mais desastroso, espécie de corrupção ou lobiismo presidencial) e, por outro, sem que incorra em quebra dos preceitos neoliberais da livre concorrência e da independência entre o mercado e o poder - no caso; a figura tutelar e reguladora do Presidente sobre todas as instituições democráticas - perdendo o lugar da Presidência o seu estatuto não interventor de equidade perante todos.
Assim sendo, não há como reconhecer qual seja a utilidade de um economista de gabarito - que excelente Primeiro Ministro por certo daria - num cargo de delicado exercício, não executivo, como é o da Presidência.
Ademais, perante argumento de que poderia tal personalidade assomar-se de maior sensibilidade e rigor na apreciação da actividade do governo em matéria económica, parece óbvio que ao Presidente não é próprio fazê-lo ao nível do regime técnico - razão pela qual existem entre o seu séquito consultores especializados para o efeito.
Deverá preferir fazê-lo antes sob o registo do espírito colectivo da Nação, que o Presidente deve saber interpretar; como resposta à acção governativa, visto que é do país real e não do Governo, que qualquer retoma originará.
Ao Presidente deverá pois caber, na realidade contemporânea portuguesa, a função da exigência à performance das instituições democráticas, apanágio que ditou correctamente dissolução da Assembleia da República em passado recente.
Essa sensibilidade para um ministério da exigência e os resultados eventuais da sua aplicação cabal, deverão devir - insistamos - primordialmente da leitura correcta da consciência social do país no decurso de múltiplas consultas, em que o Presidente assume o papel de consulente e não aquele de consultor, para o qual uma cultura tecnocraticamente orientada não é psicologicamente útil, sendo mesmo contraproducente.
O Professor Cavaco Silva não tem pois, quer perfil, quer competência para o cargo Presidencial.
Assim que inteligentemente se aperceber da impossibilidade de fazer valer as suas qualidades fundamentais, perante proibição ética em função das exigências institucionais do cargo que ocupa, quedar-se-á mero símbolo figurativo, como tal, inútil para os propósitos congregadores de uma nação a que falta ímpeto e confiança.
Por seu lado, o Doutor Mário Soares arvora-se unir um país que não está desunido e concertar uma sociedade que não tem uma cultura de contestação, sem a qual não existem necessariamente dissidências ou tumultos a aplacar.
Não passa de um bluff, fora do seu tempo democrático, para mais ensombrado por recorrentes ausências de ética (para com Manuel Alegre e para com Portugal, dado que declarou, em programa de televisão, com férrea convicção e para quem quisesse ouvir, não mais se candidatar).
A razão da sua candidatura é, aliás, a de fazer frente ao equívoco cavaquista; o que é objectivo escasso, falho de ideias e politicamente inócuo, já que era dispensável.
O Doutor Manuel Alegre - que mais do que nunca apoiamos - fala de cidadania, de justiça social, de educação, de honra e de confiança social mútua.
Os pilares de qualquer sociedade avançada e as matizes de um discurso presidencial legítimo e adequado às possibilidades de intervenção, previstas constitucionalmente, para o cargo.
Defende a instituição de um pacto de regime entre vários actores sociais, patronato, trabalhadores, partidos, incitando numa via actuante - própria de um Presidente - à unificação de esforços e à congregação nacional.
Promulga o combate à corrupção e ataca a promiscuidade entre a esfera económica e aquela política, maleita aparentemente olvidada das mentes dos cavaquistas equivocados, manifestando uma vocação moralizadora da sociedade portuguesa, necessária ao desenvolvimento sustentado e solidário do país.
Pronuncia com dignidade as palavras pátria, orgulho e identidade, propondo a modernização espiritual e intelectual de velhos arquétipos que são sempre os mesmos qualquer que seja o estádio técnico do mundo ou o seu estado de globalização.
Utópico - dirão.
Talvez;
Como Churchill no tempo da guerra, Kennedy na corrida ao espaço, ou Gandhi na luta pela independência da Índia colonizada ou como todos aqueles que lutaram contra a repressão salazarista, no tempo em que a esperança era falha.
"Utopia"
Do Grego "Outópos", sinopse dos termos: "ou" significando "não" e "tópos" significando "lugar", com o significado final de "lugar que não existe".
"País ideal em que tudo estaria organizado da melhor forma para a felicidade completa da população (tal como foi idealizado por Thomas More e outros utopistas);
Projecção de um futuro ideal;
Por extensão; quimera, fantasia, concepção irrealizável;"
De facto, sonho e acção, eis os ingredientes da metafísica do quotidiano de toda a gente.
Aspiração, sempre primeiro a aspiração e, depois, a inspiração, no e pelo combate pelas coisas.
Manuel Alegre é deveras elogiado, se utópico for o termo que se lhe aplica.
Aquele que procura realizar um lugar que não existe; um lugar português melhor.
Fundando a sua acção na sensibilização pela emoção, preciso atirador aos corações dos cidadãos, à sua inteligência patriótica emocional, sem pretender invocar nas pessoas conhecimentos (económicos ou outros) de cartilha, sobrepujando a fé no futuro; de resto, como o fizeram todos os grandes estadistas da história do mundo.
Uma vez inspirado, confiante, todo o povo prevalecerá, sem grandes lições de econometria ou filosofia político-económica.
E aos tecnocratas cabe a missão de criar condições de actuação em dada área, assim os agentes das mesmas permaneçam prontos para o efeito.
Um tecnocrata agirá com base num modelo de conhecimento pré-estabelecido para a efectivação de um procedimento efectivo, já conhecido. É um tipo de saber que se prende com a tecnologia, com a industrialização e muito pouco com as condições psicológicas, éticas ou históricas da sua pragmatização.
Um Presidente republicano, distintamente, deve ter uma visão cultural abrangente, para além das imposições algorítmicas que determinam a prossecução de uma dada técnica.
Não será por certo um Presidente de pendor executivo a individualidade mais indicada para promover as condições de sociabilidade e cultura que durante a década de silêncio que precedeu à sua candidatura, não se efectivaram, mediante os esforços de outros tecnocratas, tão ou mais habilidosos.
Eh, Camarada Alegre!
Estamos contigo.
Viva a República!
Viva Portugal!
O universo político dos eleitores portugueses parece - uma vez mais - manietado por confusão lamentável, sem dúvida irresponsavelmente propagada pelo candidato Cavaco Silva e acérrimos apoiantes.
O equívoco é o seguinte:
A crença de que é ao Presidente da República Portuguesa que cabe dinamizar a economia como forma de equilibrar as finanças públicas e ultrapassar a crise financeira do país.
Poderá tal figura manter esse ensejo, tal como ao leiteiro, ao pedreiro ou ao académico, não repugna a ideia de uma sociedade mais dinâmica e empreendedora.
Mas as condições para que tal empresa se inicie, urgente e localizada no tempo mais imediato, não são do teor da acção presidencial, mas sim daquela que é própria do Governo, do seu Primeiro Ministro e, especificamente, dos Ministros da Economia e das Finanças.
Ao Presidente não pode corresponder semelhante propósito.
A natureza das suas funções não lhe permite criar ou sugerir sinergias na actividade económica, sem que por um lado se verifique um abuso dos poderes presidenciais, mesmo que o faça por influência indirecta (o que seria ainda mais desastroso, espécie de corrupção ou lobiismo presidencial) e, por outro, sem que incorra em quebra dos preceitos neoliberais da livre concorrência e da independência entre o mercado e o poder - no caso; a figura tutelar e reguladora do Presidente sobre todas as instituições democráticas - perdendo o lugar da Presidência o seu estatuto não interventor de equidade perante todos.
Assim sendo, não há como reconhecer qual seja a utilidade de um economista de gabarito - que excelente Primeiro Ministro por certo daria - num cargo de delicado exercício, não executivo, como é o da Presidência.
Ademais, perante argumento de que poderia tal personalidade assomar-se de maior sensibilidade e rigor na apreciação da actividade do governo em matéria económica, parece óbvio que ao Presidente não é próprio fazê-lo ao nível do regime técnico - razão pela qual existem entre o seu séquito consultores especializados para o efeito.
Deverá preferir fazê-lo antes sob o registo do espírito colectivo da Nação, que o Presidente deve saber interpretar; como resposta à acção governativa, visto que é do país real e não do Governo, que qualquer retoma originará.
Ao Presidente deverá pois caber, na realidade contemporânea portuguesa, a função da exigência à performance das instituições democráticas, apanágio que ditou correctamente dissolução da Assembleia da República em passado recente.
Essa sensibilidade para um ministério da exigência e os resultados eventuais da sua aplicação cabal, deverão devir - insistamos - primordialmente da leitura correcta da consciência social do país no decurso de múltiplas consultas, em que o Presidente assume o papel de consulente e não aquele de consultor, para o qual uma cultura tecnocraticamente orientada não é psicologicamente útil, sendo mesmo contraproducente.
O Professor Cavaco Silva não tem pois, quer perfil, quer competência para o cargo Presidencial.
Assim que inteligentemente se aperceber da impossibilidade de fazer valer as suas qualidades fundamentais, perante proibição ética em função das exigências institucionais do cargo que ocupa, quedar-se-á mero símbolo figurativo, como tal, inútil para os propósitos congregadores de uma nação a que falta ímpeto e confiança.
Por seu lado, o Doutor Mário Soares arvora-se unir um país que não está desunido e concertar uma sociedade que não tem uma cultura de contestação, sem a qual não existem necessariamente dissidências ou tumultos a aplacar.
Não passa de um bluff, fora do seu tempo democrático, para mais ensombrado por recorrentes ausências de ética (para com Manuel Alegre e para com Portugal, dado que declarou, em programa de televisão, com férrea convicção e para quem quisesse ouvir, não mais se candidatar).
A razão da sua candidatura é, aliás, a de fazer frente ao equívoco cavaquista; o que é objectivo escasso, falho de ideias e politicamente inócuo, já que era dispensável.
O Doutor Manuel Alegre - que mais do que nunca apoiamos - fala de cidadania, de justiça social, de educação, de honra e de confiança social mútua.
Os pilares de qualquer sociedade avançada e as matizes de um discurso presidencial legítimo e adequado às possibilidades de intervenção, previstas constitucionalmente, para o cargo.
Defende a instituição de um pacto de regime entre vários actores sociais, patronato, trabalhadores, partidos, incitando numa via actuante - própria de um Presidente - à unificação de esforços e à congregação nacional.
Promulga o combate à corrupção e ataca a promiscuidade entre a esfera económica e aquela política, maleita aparentemente olvidada das mentes dos cavaquistas equivocados, manifestando uma vocação moralizadora da sociedade portuguesa, necessária ao desenvolvimento sustentado e solidário do país.
Pronuncia com dignidade as palavras pátria, orgulho e identidade, propondo a modernização espiritual e intelectual de velhos arquétipos que são sempre os mesmos qualquer que seja o estádio técnico do mundo ou o seu estado de globalização.
Utópico - dirão.
Talvez;
Como Churchill no tempo da guerra, Kennedy na corrida ao espaço, ou Gandhi na luta pela independência da Índia colonizada ou como todos aqueles que lutaram contra a repressão salazarista, no tempo em que a esperança era falha.
"Utopia"
Do Grego "Outópos", sinopse dos termos: "ou" significando "não" e "tópos" significando "lugar", com o significado final de "lugar que não existe".
"País ideal em que tudo estaria organizado da melhor forma para a felicidade completa da população (tal como foi idealizado por Thomas More e outros utopistas);
Projecção de um futuro ideal;
Por extensão; quimera, fantasia, concepção irrealizável;"
De facto, sonho e acção, eis os ingredientes da metafísica do quotidiano de toda a gente.
Aspiração, sempre primeiro a aspiração e, depois, a inspiração, no e pelo combate pelas coisas.
Manuel Alegre é deveras elogiado, se utópico for o termo que se lhe aplica.
Aquele que procura realizar um lugar que não existe; um lugar português melhor.
Fundando a sua acção na sensibilização pela emoção, preciso atirador aos corações dos cidadãos, à sua inteligência patriótica emocional, sem pretender invocar nas pessoas conhecimentos (económicos ou outros) de cartilha, sobrepujando a fé no futuro; de resto, como o fizeram todos os grandes estadistas da história do mundo.
Uma vez inspirado, confiante, todo o povo prevalecerá, sem grandes lições de econometria ou filosofia político-económica.
E aos tecnocratas cabe a missão de criar condições de actuação em dada área, assim os agentes das mesmas permaneçam prontos para o efeito.
Um tecnocrata agirá com base num modelo de conhecimento pré-estabelecido para a efectivação de um procedimento efectivo, já conhecido. É um tipo de saber que se prende com a tecnologia, com a industrialização e muito pouco com as condições psicológicas, éticas ou históricas da sua pragmatização.
Um Presidente republicano, distintamente, deve ter uma visão cultural abrangente, para além das imposições algorítmicas que determinam a prossecução de uma dada técnica.
Não será por certo um Presidente de pendor executivo a individualidade mais indicada para promover as condições de sociabilidade e cultura que durante a década de silêncio que precedeu à sua candidatura, não se efectivaram, mediante os esforços de outros tecnocratas, tão ou mais habilidosos.
Eh, Camarada Alegre!
Estamos contigo.
Viva a República!
Viva Portugal!


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home